tesourinhas
Foto: UFLA

 

Insetos são inofensivos aos humanos e ajudam a controlar ácaros, pulgões, entre outras pragas.

Com dias chuvosos e mais úmidos, é mais fácil nos depararmos com esse inseto em nossas casas. De hábito noturno, as “tesourinhas”, como são popularmente conhecidas, são artrópodes da ordem Dermaptera e podem ser encontradas escondidas em frestas. Por possuírem pinças no final do abdome, muitas vezes as tesourinhas são vistas como inimigas do homem, mas a ciência mostra que esses insetos são inofensivos aos humanos e ainda ajudam a controlar pragas como tripes, ácaros, pulgões, ovos de insetos, entre outros, nas residências e também no campo. As pinças são apenas usadas na reprodução (sendo maiores nos machos), na alimentação (para capturar suas presas) e como auxilio no dobramento das asas.

Na agricultura, esses insetos têm sido utilizados como agentes de controle biológico, já que, por serem generalistas, alimentam-se de vários insetos-praga, como explica a professora da Faculdade de Ciências Agrárias da UFLA Rosangela Cristina Marucci. “Na nossa pesquisa, trabalhamos com duas espécies de tesourinha, a Doru luteipes e a Euborellia annulipes. Nosso objetivo é identificar outras potenciais pragas que esse inseto pode controlar”.

Conforme a pesquisadora, Doru luteipes já é um inseto frequente nas lavouras do milho, cultura comum em muitas cidades, sendo o principal predador dos ovos da lagarta-do-cartucho do milho, Spodoptera frugiperda, e de outras espécies de lagartas, além de se alimentarem do pólen do milho. “É um inseto que têm uma identidade com essa planta. Eles se abrigam nela e se alimentam de várias presas do milho”.

Já a Euborellia annulipes é uma espécie de tesourinha que vive no solo, onde também é um voraz predador de pragas de solo. “Desenvolvemos um trabalho em plantas ornamentais no qual exploramos o hábito que esse inseto tem de ficar protegido dentro de flores. Isso foi comprovado em uma pesquisa de mestrado feita com antúrios, em que verificamos que as tesourinhas foram responsáveis por regular a população de tripes-praga encontrada dentro das espatas do antúrio. A partir dessa pesquisa, pretendemos desenvolver estratégias para viabilizar o uso desses predadores  em áreas produtoras, diz a pesquisadora.

Para a realização das pesquisas, os insetos são criados em pequena escala no laboratório, onde foi adaptada uma metodologia de criação específica para cada espécie. Participam do projeto estudantes de graduação e pós-graduação, que atuam em diversas etapas do desenvolvimento das pesquisas, conforme esclarece a professora. “Não é tão simples manter esses insetos em laboratório. São diversas etapas a serem desenvolvidas. Precisamos conhecer a biologia do inseto, a quantidade de presas consumidas durante sua vida, a capacidade de predação à medida que a população da praga aumenta, entre outros. Todos esses dados precisam ser determinados para implementação de um Programa de Controle Biológico visando a saber quantos insetos podemos liberar, qual a distância entre os pontos de liberação, qual a frequência desse processo e a logística para transporte e liberação”.

Parte dessas pesquisas foi publicada em um livro organizado pelas professoras do Departamento de Entomologia da UFLA Brígida Souza e Rosangela Marucci, intitulado “Inimigos naturais de insetos-praga em agroecossistemas neotropicais” publicado recentemente.

Instinto maternal

Apesar de ser um inseto muito comum, pouco se conhece sobre seu comportamento. Assim, as pesquisas também  buscam explorar melhor as potencialidades desse inseto, que possui intrigantes características comportamentais, como a escolha do macho pelas fêmeas e o cuidado maternal dos ovos e da prole pela fêmea da tesourinha. “Assim que as fêmeas se acasalam na criação em laboratório, esses ovos são colocados em canudos plásticos, simulando um ambiente mais protegido. O interessante é que a fêmea se mantém dentro do canudo, cuida dos ovos durante todo o período de incubação, e parece liberar uma substância química que protege e garante a viabilidade dos ovos. O nosso objetivo, então, é estudar com mais detalhes esse comportamento maternal e identificar a natureza química dessa substância. Quem sabe podemos encontrar, por exemplo, um agente antimicrobiano que pode ser utilizado para outros fins”, explica Rosangela.

Tesourinhas não têm veneno

A pesquisadora comenta que no intervalo entre 19h e 21h é mais frequente  visualizarmos as tesourinhas, já que é quando elas saem para caçar. Rosangela ressalta que esses insetos não trazem nenhum mal ao homem, já que há quem acredite quem elas possuem veneno e podem picar. “As pinças não possuem veneno, não queimam as pessoas. Elas não são lacraias, que é uma  outra classe de artrópodes que produz veneno e também possui essas pinças no final do abdome”. Para a professora, as pessoas precisam se conscientizar da importância biológica desses insetos. “É um serviço ecossistêmico que esses insetos prestam dentro de nossas casas, predando pequenos artrópodes, e nas lavouras de milho, diminuindo os prejuízos na agricultura”, finaliza.

Por Comunicação UFLA

 

 

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