Muitas empresas aéreas podem desaparecer

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Jerome Cadier, presidente da Latam, odeia home office. Ao menos duas vezes por semana vai ao hangar da Latam, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, visitar o centro de operações, que segue trabalhando por conta dos 25 voos diários que a companhia ainda mantém – 3% da malha pré-coronavírus. E os aviões estão vazios. A situação é dramática para a aviação em todo o mundo, mas o pior ainda está por vir, diz o executivo em entrevista ao GLOBO. Ele cobra socorro rápido do governo.

Quando se deu conta do tamanho da crise e que teria que deixar aviões no chão?

No fim de fevereiro, tínhamos reuniões diárias para avaliar o voo para Milão. Um dia a ocupação caiu para 40%. Os passageiros foram cancelando. Teve um voo da American Airlines em que a tripulação se recusou a voar. Aí a gente viu que, opa, o cenário está mudando. No domingo, paramos o voo. Duas semanas depois, quando fomos desenhar a malha de abril, não tinha passageiro. Nenhuma venda. Dava uma malha de 50 voos. A gente opera 750. Aí a ficha caiu. Paramos tudo. E começamos negociação com sindicato, fornecedor. Daí para frente, para usar uma expressão de uma coisa que odeio, o funk, foi “créu velocidade 5” (referindo-se ao ápice da coreografia de “Dança do Créu”, hit dos bailes funks em 2008).

Como está a operação hoje, com a malha essencial?

Queimando combustível. Minha malha hoje não paga o custo variável. Só estamos voando no Chile e Brasil, atendendo à demanda dos governos. O ideal seria parar de voar.

Já dá para enxergar algum cenário pós-crise?

Ainda é desafiador, mas algumas coisas já estão claras. O primeiro desafio é não fazer com que o futuro da Latam se resuma a 2020. É equacionar o caixa, folha, fornecedores etc. Depois vem uma segunda onda, também forte, que vai deixar o setor muito diferente. Teremos menos passageiros e um excesso de capacidade empurrando preços pra baixo.

Quanto pode cair a demanda?

Violentamente. Trabalhamos com queda de 30% a 40% para 2021. 0 passageiro de turismo vai ter menos economias e vai postergar a viagem. E o de negócios está encontrando outras maneiras de trabalhar.

Mas vocês vão reduzir a oferta. Isso não pode ajustar os preços?

Temos dificuldade de reduzir oferta. Avião parado tem custo. Nesse ambiente, o custo de operação virou fator número 1. Como terei me endividado para sobreviver à primeira onda, vou querer botar o avião para voar. Se a margem não for positiva no curto prazo, morro no médio prazo. Vai ser um cenário muito crítico. Quem não tiver custo baixo não sobrevive. Talvez as empresas sobrevivam à primeira onda. Mas muitas empresas aéreas podem desaparecer em 2021,2022.

Como reduzir custos?

Vamos precisar trabalhar com custo por hora de voo 25% menor. Mas, antes de me jogar pela janela, penso que essa mesma crise nos dá uma grande buming platform (expressão em inglês que descreve uma situação tão dramática que pede respostas urgentes). Tem que mudar tudo: a maneira de remunerar o tripulante e contratar, contratos com lessors (empresas de leasing de aviões) e com os fabricantes, que terão de ser mais flexíveis.

E o que mudará na experiência de voo? Distanciamento entre poltronas?

O assento do meio sem ninguém custa muito, você não paga o voo. E reduzir a capacidade de 180 pra 120 assentos. O passageiro daqui a um ano vai estar preocupado com a higienização. Se não tiver como alterar o bilhete, não compra. Vamos ter que caminhar na direção de mais flexibilidade. E o setor é tudo menos flexível.

Sem ajuda governamental a indústria não sobrevive. A depender de quanto tempo durar a crise, as empresas chegarão em situação de insolvência absoluta. As empresas precisam ter acesso a crédito. E terá de vir de fundos públicos.

É difícil para o banco público fazer uma avaliação das companhias sem saber qual tamanho terão depois da crise…

E equivocado considerar o valor das ações antes da crise, mas não é justo pegar o valor de hoje (após grande desvalorização). Tem um risco, e ele precisa ser remunerado além dos juros. O BNDES está propondo uma opção conversível em cinco anos. Em cinco anos, o setor se recupera. Foi bom trazer bancos privados para chancelar a precificação. Acredito que vamos chegar em alguma diluição para os acionistas, mas é longe do que está na mesa. Não tem que ser como nos EUA, onde o governo injetou US$ 50 bilhões, metade doado, com diluição no pior dos casos de 3%. Estamos pedindo R$ 10 bilhões de crédito. Com 30% de diluição, a matemática não fecha.

Quanto tempo conseguem segurar com o caixa atual?

Não sabemos como será a demanda em maio. Mas conseguimos reduzir os custos trabalhistas com o programa voluntário de licença não remunerada, que teve adesão enorme. Pelos próximos três meses, são cinco mil funcionários a menos na folha. Se liberar o FGTS, mais gente pode aderir. Os 14 mil restantes estão em licença compulsória, recebendo 50% do salário. Não há garantia de que todo mundo terá emprego na volta.

Alguma ajuda pode vir da Delta (aérea americana que se tornou sócia da Latam)?

Não tem nada sendo discutido. Colocaram US$ 2 bilhões para ter 20% da companhia. É um incentivo para que a Latam sobreviva. Não vão querer jogar esse dinheiro fora.

Como está a sua rotina em home Office?

Horrível. Tem sido bem difícil. Não tenho a disciplina, não consigo ser produtivo. Quando tenho uma chance, vou para o hangar ver a equipe.

🍎🙏

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Afirmo à sabedoria da minha essência divina sobre todas as tiranias das circunstâncias humanas.🕯 Gratidão Mestre Bob Navarro🙏🍎 Luz p'ra nós

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Catarina Melo
Admin
24/04/2020 11:03 pm

agora é hora de por o pé no chão! luz pra nós!

Luiz Cláudio
26/04/2020 10:23 pm

Luz p’ra nós!

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