qui. dez 2nd, 2021

A Verdade nos primeiros filósofos

Salve! Escrevi uma síntese básica de como a Verdade eterna foi manifestada nos primeiros filósofos:

Todos aqui sabemos que os povos antigos tinham muito conhecimento e portavam boa parte da Verdade. Mas houve um fenômeno inédito na humanidade na Grécia Antiga, aquilo que os estudiosos concordam em chamar de “passagem do Mythos ao Logos”. Em outras palavras: a transição de uma linguagem metafórica e mitológica para uma linguagem racional e lógica. Importante deixar claro que não há melhor ou pior linguagem, apesar que nos últimos tempos o ‘Mythos’ virou piada na sociedade mais intelectualizada.

Por causa dessa diferença de linguagens, há um debate se a filosofia ocidental surgiu com Tales de Mileto ou com Sócrates. Aqueles que falam que surgiu com Tales, afirmam que por mais que ele tenha usado a linguagem mais metafórica, ele ainda buscava entender as razões e princípios da realidade de um modo racional. Aqueles que falam que surgiu com Sócrates, falam que só foi a partir dele que houve uma mudança relevante na linguagem, a ponto de considerá-lo pai da filosofia ocidental. Abordarei a primeira visão, cujos primeiros filósofos são Tales de Mileto, Anaximandro, Anaxímenes e Heráclito de Éfeso.

 

Tales de Mileto

Tales, que viveu por volta de 585 A.C., foi o iniciador da filosofia da physis (realidade primeira e fundamental), enquanto por primeiro afirmou a existência de um princípio único, causa de todas as coisas que são, e disse que esse princípio é a água. O princípio-água não mais tem a ver com qualquer princípio mítico, mas sim “aquilo de que derivam originariamente e em que se dissolvem por último todos os seres”, uma realidade “que continua a existir intransformada”. 

Para Tales, a água é o princípio do qual as coisas vêm, aquilo pelo que são, aquilo no qual terminam, em oposição ao resto das coisas que são secundárias e transitórias. 

Aristóteles escreveu: “Tales, iniciador desse tipo de filosofia, diz que o princípio é a água (por isso afirma também que a terra flutua sobre a água) extraindo certamente esta convicção da constatação de que o alimento de todas as coisas é úmido, que até o quente se gera do úmido e vive no úmido. Ora, aquilo de que todas as coisas se geram é, exatamente, o princípio de tudo. Ele tira, pois, esta convicção desse fato e do fato de que todas as sementes de todas as coisas têm uma natureza úmida, e a água é o princípio da natureza das coisas úmidas”.

Ora, se o princípio-água não só é a origem de todas as coisas, mas aquilo de que e em que subsistem, é claro que todas as coisas devem participar do ser e da vida desse princípio, e, por isso, todas devem ser vivas e animadas. Seguindo esse raciocínio, Tales falava: que tudo está cheio de deuses, tudo é divino, pois tudo possui alma.

 

 

Anaximandro

Foi discípulo de Tales e forjador do termo princípio (arché em grego). Para ele, o princípio de tudo era o ápeiron (infinito ou ilimitado), do qual “provêm todos os céus e os universos neles contidos”, e não a água ou outros elementos. 

O termo ápeiron significa privado de limites e determinações externas e internas. No sentido externo, ápeiron indica o infinito espacial, infinito em grandeza, isto é, o infinito quantitativo; no sentido interno, ao invés, o indefinido quanto à qualidade, portanto, o indeterminado qualitativo. O infinito anaximandriano devia ter, pelo menos implicitamente, essas duas valências: de fato, enquanto gera e abraça infinitos universos, deve ser espacialmente infinito, e, enquanto não é determinável como a água, o ar, etc., é qualitativamente indeterminado.

Como nascem as coisas do infinito, através de que processo e por que causa? Isso aconteceria por uma separação ou um destacamento de contrários (quente-frio, seco­-úmido etc.) do princípio uno, por causa de um movimento eterno. Uma “separação” ou “destacamento”. Contrários que tendem exatamente a impor-se um ao outro. E, dado que o mundo nasce pela cisão dos contrários, nisso se vê a primeira injustiça, que será expiada com a própria morte do mundo, segundo determinados ciclos do tempo.

 

Anaxímenes

Foi discípulo de Anaximandro e se contrapôs ao seu mestre falando que o princípio é infinito e determinado: ar infinito. Todas as coisas que são derivam, portanto, do ar e das suas diferenciações. 

“Assim como a nossa alma, que é ar, nos sustenta e nos governa, assim o sopro e o ar abraçam todo o cosmo.” E dessas palavras se poderia argumentar que Anaxímenes inferiu o seu princípio baseando-se na consideração do ser vivo, o qual vive exatamente enquanto tem respiração, isto é, inspira e expira ar, e morre quando exala o último respiro. Como o ar é essencial para a vida do homem e dos seres vivos, assim o deve ser igualmente para todas as coisas e para todo o cosmo (que Anaxímenes concebia como ser vivo). Enfim, alguns estudiosos notaram que também a observação de que do céu (isto é, do ar) cai a chuva (isto é, a água) e caem os raios (isto é, o fogo), e para o céu sobem os vapores e as exalações, pode ter movido Anaxímenes a escolher o ar como princípio: tanto mais que o ar não apresenta aos olhos os seus confins e, portanto, presta-se bem a ser entendido como infinito.

 

Heráclito de Éfeso

Este foi, junto com Parmênides, o maior filósofo pré-socrático e merece uma maior atenção.

Em primeiro lugar, Heráclito chamou a atenção para a perene mobilidade de todas as coisas que são: nada permanece imóvel e nada permanece com estado de fixidez e estabilidade, mas tudo se move, tudo muda, tudo se transforma, sem cessar e sem exceção. 

Ele escreveu: “De quem desce ao mesmo rio vêm ao encontro águas sempre novas” e “Descemos e não descemos ao mesmo rio, nós mesmos somos e não somos”. Para Heráclito, não é possível entrar duas vezes no mesmo rio, pois tanto o rio, quanto nós já mudamos devido ao movimento. Nada permanece e tudo devém; ou, se se quer, só o devir das coisas é permanente, no sentido de que, para Heráclito, as coisas não têm realidade senão, justamente, no perene devir. “TUDO FLUI” é a expressão representativa dessa parte de sua filosofia. Tudo flui a ponto de não podermos ter conhecimento verdadeiro sobre a realidade.

A segunda parte de sua filosofia se trata da síntese dos opostos. O devir é caracterizado por um contínuo fluir das coisas de um contrário ao outro: “As coisas frias se aquecem, as coisas quentes se esfriam, as coisas úmidas secam, as coisas secas umedecem”; o jovem envelhece, o vivo morre, e assim por diante. 

O devir é, pois, um contínuo conflito dos contrários que se alternam, é uma perene luta de um contra o outro, é uma guerra perpétua. Mas, dado que as coisas só têm realidade, no perene devir, então, por conseqüência necessária, a guerra se revela como o fundamento da realidade das coisas. Essa guerra é ao mesmo tempo paz, esse contraste é também harmonia; de modo que o fluir perene das coisas e o universal devir revelam-se como harmonia ou síntese de contrários. Veja alguns escritos: 

“O que é oposição se concilia e, das coisas diferentes, nasce a harmonia mais bela, e tudo se gera por via de contraste.”

“E é por esta superior harmonia que os contrários, embora só podendo existir em oposição recíproca, dão um ao outro o seu sentido: A doença toma doce a saúde, a fome toma doce a saciedade e a fadiga toma doce o repouso. Não conheceriam nem sequer o nome da justiça se não existisse a ofensa. É por essa e nessa harmonia que, no limite, os opostos coincidem: O caminho para cima e o caminho para baixo são um único e mesmo caminho.”

Heráclito também escreve: “E é claro, enfim, que a multiplicidade das coisas se recolha numa unidade dinâmica superior: (…) de todas as coisas o um e do um todas as coisas”. Não a mim, mas ao logos ouvindo, é sábio admitir que todas as coisas são uma unidade.”

Para ele, o movimento é dado pelos opostos que se contrastam e, contrastando-se, pacificam-se em superior harmonia, então é claro que na síntese dos opostos está o princípio que explica toda a realidade, e é evidente, por conseqüência, que exatamente nisso consiste Deus: “O Deus é dia-noite, é inverno-verão, é guerra-paz, saciedade-fome.”

 

Conclusão: nós, que entendemos a Verdade eterna, conseguimos ver a grandeza dos pensamentos desses filósofos, principalmente Heráclito e Anaximandro. Eles exploraram o conceito de Movimento, Perspectiva e Vida, cada um do seu jeito, com sua limitação. Argumentaram como que a realidade se estrutura, falando de contrastes, fluidez, mudança, harmonia, etc. Interessante que Anaximandro fala sobre passagens de mundos em ciclos de tempo. Hoje podemos posicionar os pais da filosofia ocidental na Coerência graças ao Mestre Bob e a Verdade divina.

Luz p’ra nós!

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Pedro Silveira Goulart Cassiano
25/11/2021 12:34 am

Gratidão irmão.Luz p’ra nós!

Rômulo Matheus Lins
Rômulo Matheus Lins(@romulomatheus)
25/11/2021 7:41 pm

Luz p’ra nós!

José Ricardo Dos Santos
José Ricardo Dos Santos(@josericardo)
25/11/2021 11:58 pm

Luz p’ra nós.

José
José(@jose2)
26/11/2021 5:37 am

Luz pra nós

Daniela Cristina
Daniela Cristina(@fractal)
Editor
26/11/2021 2:51 pm

Gratidão pelo post! Luz p’ra nós <3

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